A Pastoral dos Migrantes da Diocese de Roraima, em parceria com a Organização Internacional para as Migrações (OIM) e a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), realiza entre os dias 11 e 12 de setembro um Mutirão de Regularização Migratória no município de Rorainópolis, localizado no sul do estado. A ação, atendeu cerca de 160 pessoas no primeiro dia, oferecendo serviços relacionados a trâmites de refúgio e residência.
O objetivo central
dessa iniciativa é facilitar o acesso à regularização migratória para os
migrantes que vivem nas áreas mais distantes da capital, Boa Vista. Para
muitos, a longa distância e a falta de recursos dificultam o deslocamento até
os centros de atendimento da capital, tornando o mutirão uma oportunidade vital
para garantir sua permanência legal no Brasil. Este tipo de ação vem sendo
realizado anualmente pela Pastoral dos Migrantes, que se dedica a atender as
diversas necessidades que surgem no interior do estado, onde o acesso aos
serviços de regularização é mais limitado.
Impacto da ação em
Rorainópolis Rorainópolis, situada a cerca de 300 km de Boa Vista, abriga uma
crescente população de migrantes, em sua maioria venezuelanos que buscam
refúgio e melhores condições de vida no Brasil. A cidade é um ponto estratégico
para esses atendimentos devido à proximidade com as fronteiras e o grande fluxo
de migrantes que transitam pela região. Durante o mutirão, as equipes
pastorais, em conjunto com os colaboradores das organizações parceiras,
trabalharam para garantir que os migrantes tivessem acesso a informações e
orientações sobre seus direitos e deveres no Brasil, além de ajudar no processo
de obtenção de documentos essenciais como a Carteira de Registro Nacional
Migratório (CRNM).
Além dos trâmites
burocráticos, a ação visa proporcionar um ambiente de acolhimento e escuta para
os migrantes, muitos dos quais chegam ao Brasil em situações de vulnerabilidade
extrema. A Irmã Joana Silva, da congregação Scalabrinianas da Pastoral dos
Migrantes, destacou a importância de oferecer não apenas assistência
documental, mas também suporte emocional e psicológico. "Muitas dessas
pessoas precisam ser ouvidas. Elas chegam aqui com histórias difíceis, cheias
de traumas, e nosso papel é garantir que essas demandas sejam encaminhadas
corretamente, para que possam ter um recomeço digno em nossa sociedade",
afirmou a irmã.
A colaboração com
a OIM, ACNUR é fundamental para o sucesso da ação. Essas instituições já têm
uma longa história de atuação em Roraima, especialmente no contexto da crise
migratória venezuelana, oferecendo suporte logístico, legal e humanitário aos
migrantes. No mutirão, representantes dessas entidades trabalharam lado a lado
com os agentes pastorais para garantir que as pessoas fossem atendidas de forma
rápida e eficiente.
Um dos principais
desafios enfrentados pela Pastoral dos Migrantes é a distância geográfica que
separa as áreas rurais de Boa Vista, onde a maioria dos serviços de
regularização migratória está concentrada. Migrantes que vivem em localidades
como Rorainópolis muitas vezes têm dificuldade em se deslocar até a capital,
seja por questões financeiras, seja pela falta de infraestrutura de transporte.
Essa realidade torna mutirões como o de Rorainópolis fundamentais para garantir
que os migrantes no interior também tenham acesso aos serviços necessários.
Durante os dois
dias de atendimentos, além de demandas relacionadas ao refúgio e à residência,
surgiram também questões de proteção. Casos envolvendo famílias em situação de
vulnerabilidade extrema, incluindo crianças e idosos, foram identificados, e
muitas dessas situações exigem acompanhamento contínuo. A Irmã Joana mencionou
que, após a identificação de casos mais complexos, será necessário encaminhar
essas pessoas para Boa Vista, onde poderão receber assistência mais
especializada com o apoio dos parceiros institucionais.
A presença da
Diocese de Roraima com o compromisso contínuo da Pastoral dos Migrantes
A Diocese de
Roraima a través da Pastoral dos Migrantes tem sido uma presença constante no
apoio aos migrantes que chegam a Roraima, especialmente os venezuelanos que
fugiram da crise política e econômica em seu país de origem.
Esses mutirões de
regularização migratória são apenas uma das muitas ações realizadas pela
pastoral. Eles refletem o compromisso da Diocese de Roraima e de seus parceiros
em garantir que os migrantes tenham uma chance justa de recomeçar suas vidas no
Brasil. Para muitos dos atendidos, essa oportunidade representa a esperança de
um futuro mais estável e seguro.
Texto: Libia López
Jornalista-Fotógrafa
Assessoria de SPM
Fotos: Irma
Cirila-Nova Colina Rorainopolis
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