No último sábado,
16 de novembro de 2024, a Pastoral dos Migrantes da Diocese de Roraima concluiu
um significativo Encontro Formativo Diocesano na Casa da Caridade Papa
Francisco, em Boa Vista. Durante dois dias de intenso trabalho e partilha,
agentes pastorais, colaboradores, missionários e migrantes reuniram-se para
discutir os desafios e oportunidades enfrentados por esta pastoral em um
contexto de crescente migração e deslocamento forçado.
O segundo dia de
atividades, conforme o planejamento previamente estruturado, começou cedo, às
7h30, com a chegada dos participantes, seguida de um café de confraternização.
O momento inicial de espiritualidade foi conduzido pelo padre Celso, com a
Celebração Eucarística, enfatizando o compromisso cristão de acolher o próximo
como irmão.
A professora
Márcia Oliveira, membro da coordenação nacional do Serviço Pastoral dos
Migrantes, apresentou os resultados do Sínodo realizado em 2024, que marcou um
divisor de águas para a Igreja Católica ao destacar a importância de uma Igreja
mais inclusiva e participativa. Segundo Márcia, a Assembleia Geral Ordinária do
Sínodo reafirmou a necessidade de escutar ativamente todos os fiéis,
independentemente de sua condição social ou origem. Inspirada na passagem de 1
Coríntios 12, 12-27, que celebra a unidade do corpo de Cristo, ela lembrou que
"somos muitos membros, mas um só corpo".
A Prof. Márcia
ressaltou ainda que a sinodalidade deve reforçar os conselhos eclesiais, como
os conselhos diocesanos e de pastorais, para garantir que as decisões sejam
tomadas de forma mais descentralizada. "A proposta é fortalecer esses
conselhos como espaços de decisão da Igreja, envolvendo cada vez mais os leigos
brasileiros nessas instâncias de participação. Isso impede que as decisões
venham de cima para baixo, promovendo uma representatividade local e regional
que fortaleça a comunhão e o compromisso geral de toda a Igreja",
explicou.
A voz dos migrantes
e o papel social da Igreja
Depois tivemos a
participação de alguns representantes que trouxeram importantes contribuições
para o debate. Orladis Hernández compartilhou as propostas da 2ª Conferência
Nacional de Migrações, Refúgio e Apatridia (COMIGRAR), realizada em Brasília de
8 a 10 de novembro. No evento, foram eleitas 60 propostas que servirão de base
para a orientação de políticas migratórias no Brasil. Orladis destacou a
necessidade de ações mais efetivas para a inclusão e proteção dos migrantes,
considerando os desafios enfrentados por milhares de pessoas que chegam ao país
em busca de melhores condições de vida.
Já Yuraima
Aguilar, que esteve presente no II Encontro Nacional dos Usuários do SUAS
(Sistema Único de Assistência Social), realizado entre 11 e 13 de novembro, no
Instituto Federal de Brasília, trouxe à tona a importância de fortalecer o SUAS
como ferramenta essencial para garantir os direitos de populações vulneráveis,
como migrantes, indígenas e quilombolas. Ela destacou como o diálogo e o
fortalecimento das políticas públicas são fundamentais para a inclusão social.
Desafios
contemporâneos nas migrações
A secretária
executiva da Cáritas Diocesana, Orilene Marques, também acompanhou as reflexões
apresentadas pela professora Márcia Oliveira, que abordou questões globais
relacionadas à migração. Entre os tópicos discutidos, destacaram-se o
deslocamento forçado causado por mudanças climáticas, as desigualdades sociais
persistentes, o fortalecimento de discursos xenofóbicos e racistas e o aumento
do tráfico de pessoas. Márcia enfatizou que, além do direito de migrar, deve
ser garantido o direito de não precisar migrar. "É crucial repensar os
paradigmas e criar condições para que as pessoas possam permanecer em suas
terras de origem com dignidade", afirmou.
Ela também trouxe
dados alarmantes sobre a profissionalização do tráfico de imigrantes e o
crescimento do contrabando de pessoas nos itinerários migratórios. Esses
fenômenos são sintomas de uma crise humanitária que exige respostas imediatas
tanto no âmbito eclesial quanto na esfera política.
Dinâmicas em grupo
e planejamento futuro
Se abordaram
diversas sugestões para o ano 2025, destacou-se o reforçamento do trabalho
pastoral nas áreas missionárias e a criação de mecanismos para facilitar a
integração dos migrantes nas comunidades locais.
O encerramento do
evento, contou com um almoço de confraternização, momento de celebração pelos
dois dias de aprendizado e troca de experiências.
Caminhos para 2025
Além das
atividades realizadas durante o encontro, foi apresentada a proposta de
calendário para 2025, incluindo eventos como a Assembleia Diocesana em
fevereiro, a Semana do Migrante em junho e o 3 Encontros Diocesanos da
Pastoral. Esses eventos visam fortalecer o compromisso da Diocese de Roraima
com a acolhida e integração dos migrantes.
O Encontro
Formativo Diocesano da Pastoral dos Migrantes foi um marco importante para
reafirmar o compromisso da Igreja Católica com os mais vulneráveis. A Diocese
de Roraima agradece a todos os envolvidos – desde os organizadores até os
participantes que trouxeram suas vozes e experiências para enriquecer o debate.
Que este momento
inspire todos a unir esforços em prol dos migrantes e refugiados, lembrando que
"onde dois ou três se reunirem em meu nome, ali estou no meio deles"
(Mt 18, 20). Que a jornada sinodal continue guiando o trabalho pastoral,
trazendo esperança e dignidade a todos os que buscam um lar no Brasil e no mundo.
Texto: Libia López
Jornalista-Fotógrafa
Assessoria de SPM
Fotos: Libia López
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