Memória e Esperança: III Seminário Debate o Futuro das Políticas Migratórias em Roraima

Com o tema "Olhar o passado com gratidão e sonhar o futuro com esperança", o evento reuniu especialistas e organizações para fortalecer a rede de proteção e discutir o acesso a direitos básicos.

BOA VISTA – A capital que se tornou o epicentro do fluxo migratório no Brasil sediou o III Seminário: Memória e Compromisso com as Pessoas Migrantes. O encontro não foi apenas um momento de reflexão teórica, mas um passo estratégico para consolidar a unidade entre as instituições que atuam na linha de frente da acolhida humanitária.

O seminário baseia-se nos quatro verbos propostos pelo Papa Francisco para o tema das migrações: Acolher, Proteger, Promover e Incluir. Para os organizadores, o evento funciona como o "fechamento de um arco" de atividades práticas que ocorrem no dia a dia, servindo para robustecer os argumentos técnicos e políticos na implementação de políticas públicas.

O Desafio das Políticas Públicas

A Profª Márcia abriu o ciclo de debates com uma exposição detalhada sobre as atualizações nas políticas migratórias brasileiras. Em um cenário de constantes mudanças legislativas, a compreensão dos novos processos de regularização é vital para garantir que a acolhida não seja apenas assistencialista, mas pautada em direitos.

Um dos pontos altos foi a provocação sobre a inserção de migrantes em programas habitacionais, como o "Minha Casa, Minha Vida". A discussão ressaltou que a verdadeira inclusão passa pela ocupação digna da cidade e pelo acesso a moradias que permitam o estabelecimento de raízes.

Unidade na Ação

A segunda parte do evento focou na operacionalização das ideias. Sob a coordenação do Pe. Juan Carlos e da Ir. Terezinha, os participantes foram divididos em eixos de trabalho para planejar os próximos passos da rede.

As organizações SJMR (Serviço Jesuíta a Migrantes e Refugiados), Cáritas Brasileira e SPM (Serviço Pastoral dos Migrantes) apresentaram os resultados de suas discussões em grupo. O debate em assembleia revelou um consenso: a proteção dos direitos das pessoas em mobilidade depende de uma vigilância constante e de uma articulação que vá além das fronteiras estaduais.

Olhar o Passado, Projetar o Futuro

O encerramento do seminário reforçou o lema do evento. Olhar para o passado com gratidão permite reconhecer os avanços conquistados desde o início da crise humanitária na região, enquanto o compromisso com o futuro exige coragem para sonhar com políticas que garantam a dignidade plena de cada irmão e irmã que cruza a fronteira.

"Este seminário fortalece nossa unidade e nos dá as ferramentas necessárias para que a acolhida se transforme, de fato, em inclusão social e cidadania", destacou a coordenação do evento.